Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

Sejamos claros:

1) Isto foi o que escreveu o Henrique Manuel Bento Fialho: "As epístolas eram um must de bajulice e graxa (lembro esta ou esta), os dois livros de poesia de um sentimentalismo enjoativo, duas ou três crónicas um chorrilho de palermices. Foi tudo o que lhe li." Henrique: tenho quatro livros de poemas, dois romances, uma novela, um livro de contos e dois de crónicas publicados. Mais uns quantos textos dispersos. Falar do que escrevo com a assertividade com que o faz, pondo em causa sequer a possibilidade - eu sei que certamente muito díficil de aceitar - que haja gente que até pense que o que escrevo pode ser publicado em jornais, revistas ou livros parece-me partir de uma amostra pequena para tanta opinião. Eu sei que o Henrique tem (pelo menos) três livros publicados. Nunca li nenhum. Li alguns posts que me pareceram a maior parte das vezes pouco interessantes. Daí a dizer que não compreendo como é que a Ovni ou a Deriva o publicam vai um grande passo. Que não dou.

2) Sobre polémicas e lições: já polemizei o bastante, obrigado. Não dou mais para esse peditório, tenho bem mais do que fazer. Li o seu texto sobre o surrealismo, que pretende, julgo, responder à minha crónica. Muito bem, obrigado. Apenas discuto sobre o que quero e com quem quero. A crónica está . Não gostam? Deitem fora. Agora se para além de mim não há quem lhe ligue, Henrique, eu não tenho culpa e não lhe vou ligar por causa disso. Escrevo. O que quero. Não tenho de debater com bloggers - principalmente com aqueles que não considero por aí alem como bloggers - as crónicas ou o que quer que seja que escrevo.

3) "Raio de sina esta que sempre que alguém levanta questões tenha de ouvir-se acusado de presunçoso, mal intencionado, invejoso ou outra coisa qualquer!", escreve. Mas onde? Eu disse que o Henrique era presunçoso, mal intencionado, invejoso ou - esse termo tão claro - "outra coisa qualquer"? O seu texto sobre o surrealismo não tenta ser uma lição? Vejamos como começa: "Afirmar que o Surrealismo é um Experimentalismo automático é um pouco como dizer que o paganismo é um cristianismo sincrético, ou seja, não faz sentido algum. Valerá a pena explicar porquê? O surrealismo, que nunca foi uma só coisa mas várias ao mesmo tempo, não pode ser reduzido à escrita automática. Leiam-se Artaud ou Huidobro, entre outros, para entender (...)" Não sei porquê, mas o tom parece-me muito de alguém a querer ensinar uma coisa...

4) Sobre o comentário anónimo: se acham que estou a mentir, é-me verdadeiramente indiferente. Apenas escrevi que o comentário me tentava defender porque era esse o facto e vinha em clara oposição aos comentários anónimos que tinha aceite publicar. Não preciso, ao contrário do que pelos vistos tantos pensam, que tenham muita pena de mim porque há gente que parece gostar pouco do meu trabalho. Agradeço o cuidado, mas devem achar isso porque os poemas são de um "sentimentalismo enjoativo" e confundem o sujeito poético com o autor.

5) A defesa da honra ofendida do Rui Almeida: disse no post o que estava no comentário, que me pareceu poder acrescentar alguma coisa à questão. Disse o teor do comentário e que era ofensivo para o Rui Almeida. E que por isso mesmo - repito, por isso mesmo - não o aceitei. Deixa-me ver se percebo: não aceito um comentário para não ofender a pessoa; digo o teor do comentário porque me parece interessante; um amigo bem defender o pretenso ofendido, com a "torpe insinuação" que ele é o autor de um blogue anónimo. Mas não fui eu que insinuei, foi o comentário que não aceitei para não o ofender. Talvez não consiga atingir - nas minhas notadas e debatidas limitações intelectuais - o raciocínio. Mas o conhecido princípio intitulado Occam's Razor diz que a explicação mais simples tende a ser a correcta ("a pluridade não deve ser usada sem necessidade") e não sei porquê tenho a sensação que esta explicação para a defesa da honra do Rui Almeida (o facto de não ter aceite o comentário onde se ofende a pessoa, não ofendendo assim a pessoa mas dizendo apenas o seu teor com o único objectivo de o ofender) parece mais complicada do que a minha (não aceitei o comentário para não ofender o Rui, ponto). 

6) Eu não sou o mascarilha, e não tenho nada contra o senhor, a senhora, os senhores ou as senhoras que escrevem aquele blogue. Já o disse: acho-lhe graça e tenho pena que não tenha a coragem de dizer quem é (a comparação com o Rogério Casanova deve ser brincadeira, só pode; o Casanova anda a falar muito bem e muito sério brincando muito - o bloque em questão é uma brincadeira, tão-só). Mas fico como sempre honrado e espantado com o incómodo que causo à vida de tanta gente.

7) E, para mim, chega deste assunto. Tenho um romance a meio que quero acabar. Embora tenha pena de já ver limitado o meu potencial leque de leitores a dez milhões menos o Henrique. Mas enfim, não se pode ter tudo.  



publicado por JRS às 21:36 | link do post | favorito

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