Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Não visitava o sítio do João há anos. Literalmente. Pensei que tinha sido descontinuado. Hoje, por razões que só a ausência de qualquer razão conhece, caí lá. Tirando um pequeno e um grande detalhe: 1. sigo talvez uns cinco ou seis blogues, dia sim, dia não, dia não, dia não, dia sim 2. não me comparo ao cronista português que mais admiro (como escritor) e que mais estimo (como amigo) - e posso dizê-lo sem problema algum porque sei que ele não vem cá ler isto. Mas parece que escreveu este texto lá colocado há pouco tempo a pensar nos meus últimos posts, o raio do João. Fica aqui:

 

Terminam as férias, regresso a este Vale de Lágrimas e alguns amigos perguntam: 'Já leste o que andam a dizer de ti na blogosfera?' Entendo a preocupação deles, coitados. Pena que não possa responder ou corresponder a ela. Não leio blogues. Eu sei que, dito assim, a coisa soa a falso. Quem, em juízo perfeito, não lê blogues?

Resposta possível: quem precisa de cabeça fresca para fazer opinião de forma contínua, semanal e profissional.

Começa por ser uma questão de tempo: há demasiados livros para ler, filmes para ver ou lugares para estar. E, incidentalmente, uma vida para viver. Entendo que o sr. X, todos os dias, emita sentenças primorosas em pijama. E não duvido que a blogosfera, que eu criei um dia (adoro esta), ofereça melhor prosa, em média, do que os órgãos oficiais com os seus plumitivos oficiais. Sem falar dos amigos, dos meus amigos, que escrevem e pensam muitíssimo bem; não lê-los é uma privação dolorosa.

Mas estas benesses são largamente ultrapassadas pela pocilga anónima que, na maioria dos casos, só poderia ser enfrentada com a judiciária e os tribunais. Para quê maçar-me?

Não me maço. Em relação aos amigos, se não os leio, prefiro vê-los e ouvi-los. Ao vivo. À mesa. E sobre os restantes, que não conheço nem quero, evoco um livro primoroso de entrevistas que Woody Allen concedeu a Eric Lax (acho). Diz o primeiro ao segundo (cito de cabeça): "A única regra que devemos seguir é ter prazer no nosso trabalho e não ler o que os outros escrevem a nosso respeito." É uma boa regra. É a única que sigo.

Quanto ao resto, não me cabe ensinar a ninguém os conceitos de ironia,  paródia e até sarcasmo, esse parente pobre que às vezes dá para os gastos; não tenciono explicar, por outras palavras, o que gente neandertal não conseguiu perceber à primeira; não dou aulas de borla sobre conceitos como "fascista" ou "reaccionário", mas posso recomendar bibliografia sobre o assunto para futuros alunos; e não estou interessado em "ver as coisas do outro lado", porque sou pago para ver as coisas do meu.

Por último, e sobre os insultos que me relatam, os únicos que incomodam - um incómodo breve, passageiro, como o voo de um moscardo - são aqueles que vêm de pessoas que conheci em tempos e com quem tive um trato, digamos, civilizado. Como é evidente, nem essas merecem resposta; ou sobretudo essas. Quando muito, e para citar o poeta, mereciam apenas uma palmada no sítio onde guardam o carácter e o intelecto.

 



publicado por JRS às 23:19 | link do post | favorito

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