Sábado, 5 de Fevereiro de 2011

No youtube alguém fez um video para a Katy Song. Há muito tempo que a queria colocar aqui, mas não havia imagens para ela. Agora há. Não são fantásticas, mas pelo menos são passíveis de serem vistas. Ficam em baixo.

A Katy Song talvez seja a música a minha vida. Quer dizer, eu tenho muitas músicas da minha vida, mas esta tem algo de único e especial. Até porque tem histórias à sua volta que só a fazem mais maravilhosa.

A história oficial está contada na canção. Kozelek conheceu Katy em São Francisco, quando ela visitava a cidade. Viveram uma paixão daquelas muito adolescentes e de férias, já eram ambos crescidos mas com vontade de viverem paixões adolescentes e de férias. Ela voltou para Londres como tinha de voltar (I know tomorrow you will be somewhere in london, living with someone. You've got some kind of family there to turn to and that's more than i could ever give you). E ele escreveu esta música no dia da sua partida (tive na mão o papel onde está a primeira versão da letra - foi reproduzido no livro Noites de Atropelo, que tive a honra de editar nas Quasi), onde tudo é feito de saudade (Kozelek - talvez o maior amante de Caldo Verde depois da Ana - é português, acreditem).

Só que a história oficial termina assim mas a verdadeira história, que ouvi do próprio Mark (com quem tive a honra de privar como amigo - costumo dizer, com muita pretensão, que eu não sou amigo do Mark: eu zanguei-me com ele), é um bocadinho mais humana.

Quando Mark veio a Londres por causa do primeiro álbum (e já a Katy Song estava escrita), a paixão adolescente continuou como devia. E Katy voltou para São Francisco com ele. Infelizmente, as relações humanas não se compadecem com a arte e foi Kozelek, não Katy, quem disse já chega. Confidenciou-me que ela se tinha tornado algo que não conhecia, que a pessoa que estudava artes parecia alguém passivo com a vida (as paixões adolescentes e de férias costuma ter este fim). Disse-lhe adeus e ficou a música. Não se falaram nunca mais. Ou quase nunca mais. Apenas se voltaram a falar quando Katy - já casada e mãe de dois filhos, a viver julgo que noutra parte da California - soube que tinha cancro. Mark telefonou-me - ainda éramos amigos - dizendo-me da morte de Katy e de como tinha morrido a pessoa da vida dele. A música, afinal, estava certa. É Kozelek quem perde Katy. Infelizmente não para Londres, mas para sempre. A chance for calm, a hope for freedom, outlet from my cold solitary kingdom. By the forest of our spring stay, where you walked away. And left a bleeding part of me, empty and bothered, watching the water, quiet in the corner numb and falling through. Without you what does my life amount to?

Esta última pergunta é aquela que fazemos sempre que perdemos aquele ou aquela que mais amamos.
 



publicado por JRS às 10:33 | link do post | favorito

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