Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

A uma antologia devem ser exigidos, pelo menos, um de dois contributos: ter uma perspectiva didáctica e preambular sobre os autores ou temas que a fundamentam; dar aos poemas que a compõem uma leitura renovada. Este último contributo era quase obrigatório para os organizadores de Poesia Com Cinema, uma vez que, de outra forma, não se justificaria a republicação de poemas ainda tão recentemente postos à disposição dos leitores ou de poemas que, apesar de mais remotos no tempo, continuam disponíveis nas estantes de muitas livrarias. Mesmo tendo em conta o risco assumido pelos organizadores na forma de sistematização e apresentação da antologia, o qual deve ser reconhecido – e elogiado –, o produto final raras vezes ultrapassa a mera republicação. Trata-se, assim, de uma opção desafiante mas concretizada sem nenhum risco.

Aqui e aqui.

Fico sempre tão feliz quando vejo alguém dizer que há muitos livros de poesia disponíveis nas livrarias. E que, por isso, não faz sentido fazer uma antologia temática que é completamente diferente de outras, se não mais porque organiza os poemas de uma maneira idiossincrática. (Outras há que o não fazem de todo, mas nunca li um reparo que fosse a alguma dessas. Essas, claro, não são republicação de autores disponíveis nas livrarias.) Exemplo: Movimentos no Escuro, de José Miguel Silva. É todo sobre cinema. Mas como saiu há pouco tempo na Relógio D'Água (2006), e como a tiragem de 1 000 exemplares que foi feita demorará os seus vinte anos habituais a esgotar, nada de colocar um poema do José Miguel Silva numa antologia temática. Bem, é um critério como outro qualquer. A partir de agora, caros amigos, sigam o conselho do David Teles Pereira: antologias temáticas só de poemas que não estão disponíveis nas livrarias. Dos outros, coloque-se por favor a referência bibliográfica e o leitor que os vá comprar. Acho bem. Como editor de poesia, acho até muito bem. É que isto de divulgar a poesia pode trazer leitores para o feudo e depois perde-se aquele encanto infantil do eu sei e tu não. Entendo bem o David. Embora, lamento, não comungue deste seu ideal tão reservado.



publicado por JRS às 00:27 | link do post | favorito

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