Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Musicado pela Adriana Calcanhotto, é quase impossível de ler sem trautear, nem que seja um pouco, a melodia. Mas tentem. É um grande poema de um grande poeta chamado Antonio Cicero, que tive a honra de editar em Portugal. Este Inverno, pertença do seu primeiro livro, Guardar, tem três dos versos mais verdadeiros alguma vez escritos em língua portuguesa. Adivinhem quais são.

 

Inverno

 

No dia em que fui mais feliz 
eu vi um avião 
se espelhar no seu olhar até sumir

 

de lá pra cá não sei 
caminho ao longo do canal 
faço longas cartas pra ninguém 
e o inverno no Leblon é quase glacial.

 

Há algo que jamais se esclareceu:

onde foi exatamente que larguei

naquele dia mesmo o leão que sempre cavalguei?

 

Lá mesmo esqueci 
que o destino 
sempre me quis só 
no deserto sem saudades, sem remorsos, só 
sem amarras, barco embriagado ao mar

 

Não sei o que em mim 
só quer me lembrar 
que um dia o céu 
reuniu-se à terra um instante por nós dois 
pouco antes do ocidente se assombrar



publicado por JRS às 01:41 | link do post | favorito

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