Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

 

Conheci-o mal. Entrevistou-me uma única vez, teremos falado pouco mais do que uma dezena de vezes. Mas, no entanto, era como se nos conhecêssemos. Não desde sempre, as palavras usuais para os amigos. Carlos Pinto Coelho não era meu amigo, não aconteceu, verbo que será repetido muitas vezes nos próximos dias. Mas era como se nos conhecêssemos porque ambos vivíamos dentro dos livros - eu editando, escrevendo; ele divulgando, oferecendo. Ambos lendo, claro.

Da única vez que me entrevistou, há um ano, nos estúdios onde gravava o Assim Acontece para que tantas rádios locais o repetissem, surpreendeu-me. Foi sobre os Poemas Portugueses. Não gostei. Porque todas as entrevistas que me costumavam fazer sobre a antologia partiam de perguntas como que acríticas. O que era a antologia, como lá tínhamos chegado, etc e tal. Ele não. Ele a certa altura disse "mas tem muitos poemas maus". Fiquei desarmado. Disse que não, que não tinha. E ele replicou "tem, sabe que tem". Não sabia. Não sei. Mas imagino que um dia, com sessenta e seis anos, olhe para trás e diga que tem. Ele achava que tinha e confrontou-me. É o melhor elogio que lhe posso fazer.

Uma das suas menos conhecidas actividades era como fotógrafo. Que conheço mal. Mas fico sempre maravilhado com a fantástica fotografia que, em boa hora, permitiu que usássemos há vários anos no Berçário do Rui Lage. Fica aqui. [Em cima, fotografia de Pedro Palma.]

 

 



publicado por JRS às 00:26 | link do post | favorito

1 comentário:
De Dylan a 20 de Dezembro de 2010 às 21:56
Aconteceu que um ministro prepotente acabou com o primeiro telejornal cultural português que durava há 9 anos "porque saía mais barato pagar um viagem à volta do Mundo a cada telespectador do programa do que o manter"; aconteceu que alguém se esqueceu de quem desbravou o caminho para a RTP Internacional e RTP África e, como recompensa, foi enviado para as catacumbas da RTP Memória; aconteceu a alguém que criou um novo conceito de jornalismo cultural transformando-o em serviço público, acessível a todos; aconteceu a alguém que amava a fotografia e o jornalismo à antiga, sem submissões. E assim Acontece(u) a Carlos Pinto Coelho.




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