Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

 

Toda a gente fala de Sá Carneiro. Minto: toda a gente menos Pedro Santana Lopes. Cumprindo o prometido, Pedro Santana Lopes só usou dois terços da sua crónica no Sol de há duas semanas para dizer que não ia falar dele. A semana passada não comprei o jornal. Imagino que tenha voltado a dizer que não ia falar dele. Esta semana usa um terço do espaço para falar dele, mas no fundo não está a falar.

Toda a gente e até Vasco Pulido Valente. Pelo que tenho lido sobre Sá-Carneiro, ele não era assim bem de direita naquela altura. Mas Pulido Valente, que não lê os anos de 1974-1980 com as lentes de agora (nem pensar!) acha que ele queria era fazer um partido de direita. Ele trabalhou com ele, deveria saber do que fala. É até esse o seu argumento: "eu trabalhei com ele". Mas, lamento, não colhe. Não basta trabalhar, é preciso lembrar convenientemente e à luz das circunstâncias da época.

Toda a gente e mais gente no Sol. Gente como Basílio Horta que diz que o PSD e o CDS se teriam fundido um com o outro se Sá Carneiro não tivesse morrido (ele só provocou duas grandes dissidências no PPD, de centenas de militantes cada uma,  durante o seu breve reinado - nota-se que era um homem de consensos...), gente como Almeida Santos que diz que o PSD estaria bem mais próximo do PS porque "Sá Carneiro era mais à esquerda do que eu" [sic]. Gente que não leu o Vasco Pulido Valente, com certeza. Mas que leu Pedro Santana Lopes: "Todos os exercícios de imaginação são admíssiveis". Até fazer o fútil exercício de "o que seria isto se isto não tivesse sido isto". Eu aposto que teria sido aquilo, não isto.

 

Termino por estes dias a leitura da reedição da biografia de Maria João Avillez. Acho bem - e até intelectualmente honesto - que não tenha mexido em nada, acrescentando apenas uma nova introdução. Tenho pena, no entanto, que perca em comparação com a de Miguel Pinheiro (embora se note que ele muito a considera) pela ausência das indicações de algumas fontes importantes e, bem mais importante, por uma edição pobre, que coloca fotografias do dia da apresentação do PPD (em 1974) no corpo do texto junto com o ano de 1976. E, ainda mais importante, que perca pela existência de algumas gralhas que são erros de facto e que uma revisão cuidada - e não falo de Maria João Avillez, claro - deveria ter corrigido.

 

[Em cima, fotografia de Alfredo Cunha]



publicado por JRS às 20:27 | link do post | favorito

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