Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Caro Amadeu, deixe-me agradecer-lhe primeiro a visita a esta Rua da Castela, situada, como saberá, entre o lugar de Fontelo e a Rua Padre Zeferino José Sampaio, freguesia de Calendário, concelho de Vila Nova de Famalicão. Só por azar não é aquela onde moram os meus avós, que ainda estão no lugar da Castela, mas viram - talvez devido à tão grande proximidade da sua casa com o cemitério e a igreja - a toponímia do concelho oferecer-lhes nome de Padre para a sua rua. Ficou a da Castela para a da parte de trás, mais longe daqueles que diz serem o meu avô os vizinhos mais sossegados que tem.

Mas temo, Amadeu, pela minha saúde literária com o seu verbete. Porque embora diga ter um grande dossier sobre a minha "actividade literária", começar por escrever mal o nome e acabar por errar na profissão (continuo com a responsabilidade de editar livros, agora na Babel, dirigindo as chancelas Pi e Verbo) não augura nada de muito bom para o seu projecto. Felizmente, a segunda parte estará salvaguardada: se não mereci uma referência que seja ao meu umbigo literário no seu pequeno balanço da década, imagino o verbete, com pequeno ou grande dossier, começando e acabando como cita, "Sá, Jorge Reis, Vila Nova de Famalicão - 1977". Mas torna-se um bocadinho grave - mas enfim, que sei eu... - a gralha, ainda para mais voluntária, na forma de grafar o meu nome. É que o hífen quer dizer que o segundo nome que uso como escritor é mesmo Reis-Sá. E que não é muito, digamos, academicamente correcto andar a alterar o nome das pessoas só porque sim. Mas imagino-o a saber bem mais do que o professor catedrático da Sorbonne que fez o verbete do David Mourão-Ferreira no Dicionário de Literatura Portuguesa que a Presença em boa hora editou há alguns anos. E se o argumento for que ele tinha no nome civil o hífen, digo-lhe duas coisas: só não o tenho porque o código civil é fascista e só permite a alteração se for num nome tradicional (o que quer que isto queira dizer); se fizer um dicionário de autores de São Martinho de Anta talvez seja boa ideia colocar no "R" um escritor presencista chamado Adolfo - Adolfo Rocha.

Quanto ao tempo que é outro tempo nas terras pequenas: o meu post era equívoco, perdoe-me. Por muito que haja tanta e boa gente muito feliz em Famalicão com o meu exílio voluntário em Lisboa, este provinciano ainda acha que a cidade grande não rima com onde o coração se esconde mas antes com onde se esconde o coração.

PS: As Quasi sempre se chamaram Quasi Edições - As Quasi Edições. O verbete entrará portanto no "Q", de Quasi. As Edições Quasi nunca existiram. Mas se tivessem existido, aí sim, seriam no "E", de Edições. Ambas antes do "R", de Reis-Sá.



publicado por JRS às 20:28 | link do post | favorito

2 comentários:
De Nuno Pombo a 5 de Novembro de 2010 às 11:03
cada vez mais chego à conclusão que a blogosfera é o abrigo das pessoas que queriam ter seguido um caminho e não conseguiram.

o "verbete" deste amadeu (que nem conhecia...e se calhar era isso q ele queria: conhecimento - o que é diferente de reconhecimento) está mal escrito. Nem falo da forma de escrever, mas do conteúdo. É vazio.

Há pouco o jorge reis-sá viu-se envolvido noutra "polémica-inventada" por causa do artigo do Pnet em que se referia ao surrealismo como "experimentalismo automático". Quem o criticou nunca ouviu falar no cadáver esquisito, com toda a (e exclusiva) aleatoriedade e automatismos a ele inerentes.... E estamos a falar de pessoas que se dizem sábias do mundo, com tempo mais do que suficiente para irem ver o que não sabem (ex: Henrique Filho Fortinbras)...

E depois há um conjunto de bloggers que vão na boleia, e que acéfalos seguem os outros.
Felizmente ainda há pessoas que pensam, Jorge. E só esses é que contam. Os outros escrevem sobre bufas em novelas online em folhetim.


Pombo


De JRS a 5 de Novembro de 2010 às 13:00
Caro Nuno
o Amadeu faz há muitos um anos um trabalho de recolha da literatura dita famalicense (sem, no entanto, e como está bem patente neste micro-polémica, contextualizar o que é "sobre" Famalicão e o que é "de" Famalicão). Embora algo limitado, é um trabalho que me merece consideração. Mas gostei muito da maneira como ele termina a micro-polémica, com aquele desprezo de quem não está para responder porque não tem como responder. Do resto que diz: as polémicas são interessantes quando as pessoas falam - quando querem falar, claro; ninguem tem de polemizar com quem não quer - e deixam os preconceitos de lado. O maior problema da blogosfera, logo a seguir ao enorme, enorme problema do anonimato, é que a maior parte das pessoas escreve com tinta de fel e cheia de preconceitos porque não tem outro sítio onde; e julga assim conseguir juntar o seu batalhão de fiéis amargurados. Aqui, na Rua da Castela, não se faz nada disso. Aqui escreve-se para o leitor imaginário sobre Gormitis, os Red House Painters ou o Surrealismo. Por alguma razão este blogue não tem contador de visitas. O leitor é só um e não me interessa saber se esse um são afinal muitos. Obrigado por ser um dos únicos leitores e pelo facto de, pelos vistos, pensar pela sua cabeça. Já temos alguma coisa em comum. Um abraço.


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