Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Deixei Famalicão há um ano. Como diz o outro, com um travo de amargura. Mas fico contente quando alguém - neste caso o Amadeu Gonçalves - dá o devido valor ao que deixei em Famalicão. Isto quando resolve fazer "uma análise sobre a criatividade literária em V. N. de Famalicão, não só no seu contexto local, como também num contexto de âmbito nacional e, como não pode deixar de ser, num plano internacional. Nestes últimos doze anos, Famalicão não tem fugido à regra nestas três perspectivas, na medida em que essa mesma critividade literária se tem manifestado de uma forma original." As Quasi, eu enquanto escritor, que bom quando nos dão valor... Espera lá. Acho que li mal. O quê? Sim, houve uma revista que dirigi com o Walter [sic] Hugo Mãe, a Apeadeiro, e houve... Espera. Não houve mais nada que tenha feito!

Afinal, pelos vistos, não houve mesmo. A Medalha de Mérito Cultural atribuída pela Câmara e que as Quasi receberam em 2004, foi um equívoco. A Loja das Quasi - Espaço de Arte, Literatura e Design ter sido considerada a melhor loja do país de 2008 pela insuspeita Confederação Portuguesa de Comércio e Serviços e pela Escola de Comércio de Lisboa, outro. A colecção Oito Séculos, que as Quasi em co-edição com a autarquia, lançaram e onde se editaram várias monografias sobre Famalicão, outro. A única História de Vila Nova de Famalicão, com 600 páginas e da mesma colecção, outro. As Quasi terem publicado, a partir de Famalicão e durante dez anos, seiscentos títulos, a maior parte deles de literatura e poesia, de prémios Nobel, Camões, Pessoa, etc, outro. E o facto de eu ter escrito alguns livros, editados na Dom Quixote ou na Sextante entre outras editoras (Quasi incluída), ser colaborador da LER e de outras revistas, ter co-organizado a maior antologia de poesia portuguesa, Poemas Portugueses, ter dois romances publicados numa das maiores editoras brasileiras - a Record - ter sido capa do suplemento literário do Jornal do Brasil ou ter tido críticas positivas ao que escrevo na Visão, no JL, no Público, no Expresso, no DN etc e tal, não me faz merecer uma citação como, sequer, autor famalicence.

É porque pelos vistos, longe da vista, longe de uma "análise sobre a criatividade literária em V. N. de Famalicão" feita de forma competente. Paciência. A partir de agora talvez seja altura de começar a colocar "Jorge Reis-Sá nasceu em 1977" sem dizer bem o lugar. Pelos vistos, não vale muito a pena ter nascido e vivido lá até aos 33 anos. Não tem mal: aqui em Lisboa o tempo é outro, mais sol, menos chuva, menos frio. E o Ruy Belo, esse, como sempre, tem toda a razão: "o tempo é outro tempo nas terras pequenas".

PS: escusado será dizer que uma análise à possível existência de uma literatura famalicense só porque há gente que tenha nascido lá - sem sequer se analisar se o que escrevem tem alguma coisa a ver com a povoação - é tão provinciano como o post que escrevi. Mas já me fazia falta ser publicamente provinciano outra vez.



publicado por JRS às 14:38 | link do post | favorito

2 comentários:
De Mário Cordeiro a 3 de Novembro de 2010 às 01:23
Um dia, pensei com os meus botões (e acho que até o verbalizei): este rapaz (leia-se JR-S) está a engolir o mundo demasiadamente rápido. Ou vice-versa. Precisará de algo que mude, de forma radical, a sua vida, caso contrário pode consumir-se no tédio e no "déja-fait".

Inteligente como é, e apoiado por uma grande mulher e por uma criança adorável, ei-lo a dar a volta "à crise" em três tempos - com dor e lutos, mas com sucessos e alegria.
Hip. hip. Hurra!, por este ano na "capital da Metrópole".


De JRS a 3 de Novembro de 2010 às 02:09
Amigo Mário
este ano de felicidade (e de tanta tristeza, mas quero crer que o Sol de Lisboa ilumina todas as sombras) só foi possível porque conseguimos em Lisboa dois ou três amigos que nos ampararam a queda. Que não foi pequena, como bem sabe. Um deles chama-se Mário Cordeiro e tratou daquilo que nos era mais importante. Acredite que se não fosse o Mário, tudo isto teria sido muito - mas mesmo muito (e nem quero pensar quanto, se já foi o que foi) - mais difícil. Quero aqui publicamente mandar-lhe o maior w o mais amigo abraço. Jorge


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