Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

 

Confesso que comecei a ver a série, seguindo até com algum interesse a primeira temporada. Embora a tenha sentido sempre com um erro de casting brutal, confirmado posteriormente numa pesquisa rápida na world wide web: a Grey que a nomeia é velha demais para a personagem que interpreta. Adiante.

Mas aquilo tornou-se uma coisa sem rei nem roque. Já se fez um spin-off, a Clínica Privada, que só é melhor porque levou esta lindíssima mulher que achei por bem colocar em cima para embelezar um bocadinho este blogue. (Mas, claro, outro erro de casting com aquele pediatra - acho - que tentam despentear para ficar muito casual e muito giro: é feio que dói.) Mas dizia da Anatomia: o que mais irrita num episódio qualquer é que se nota que a Criadora e os seus súbditos argumentistas, depois de já terem ido para cama uns com os outros, têm de inventar personagens que permitam novas combinações. E combinam e não é pouco: é uma telenovela mexicana no seu melhor.

Melhor, no seu pior: a telenovela mexicana baseia-se em diálogos, como todas as telenovelas, e não está para músicas delicododes estendidas até ao limite. O que mais me irrita na Anatomia de Grey é aquela coisa de em cada episódio se salvar o Mundo da Fome, se pensar nos mortos no Sudão, no furacão Katrina ou no Haiti. É certo que não parece, porque é tudo muito interior, digamos. Mas é disso que se trata: de querer em cada episódio merdoso falar sempre dos grandes assuntos.

E como? Pois bem: nada como uma voz omnisciente que vai rodando - como os casais - de episódio em episódio, a debitar novas máximas sobre a Vida, a Medicina, a Humanidade ou a Pilinha do McDreamy. Sempre em maiúsculas, claro. E, sempre - mas sempre, mesmo - ao som de uma música inicial (duas, três...) e de uma música final (duas, três...).

A Anatomia de Grey é o oposto do ER, e por isso tão mau. No segundo tudo era acção. Na Anatomia, cada episódio tem três tempos - dividem-se os 40 minutos em 15 de entrada, 15 de saída e, vá lá, 10 de acção. Quando damos por ela, já vão 15 minutos de episódio e eles ainda não introduziram merda nenhuma - tirando três músicas do Damien Rice. Depois lá vemos uma cirurgia qualquer com muitos pis, pis, pis e um ufa, está quase safo. Mas eis que ainda faltam 15 minutos para acabar o programa e volta o Damien Rice (às vezes os Coldplay) a cantar mais uma xaropada e nós, finalmente, morremos de tédio depois de percebermos qual a Lição Para a Vida que a Criadora da Anatomia nos quer ensinar.



publicado por JRS às 00:18 | link do post | favorito

2 comentários:
De Mário Cordeiro a 3 de Novembro de 2010 às 01:19
Eu é por fases. Já foram os CSIs e o Sem Rasto. Agora, gosto do Boyd, da Investigação Especial, bem como do Bones (recentemente vi a temporada 5 completa). Do House ando um bocado farto, embora a versão actual, menos cínica e mais frágil, seja mais cativante.
O pior é o tempo que estas coisas consomem (e os editores à espera de textos para os livros!!!).


De JRS a 3 de Novembro de 2010 às 02:04
Amigo Mário
esqueça os editores, acredite. Os livros têm a sua própria gestação - como tão bem sabe - e às vezes ver a temporada completa do "Bones" vale mais do que horas a batalhar nas palavras. Eu neste momento sigo quase para a terceita série do "The Unit" e, embora com um argumento mais fraco, a meio do "Criminal Minds". Abraço!


Comentar post

mais sobre mim
posts recentes

O Mário

Mistress

FCF

Mira Técnica

Easter Message

PPD/PSD

It is

Canção Triste

Portugal

A Moral da Coisa

arquivos

Março 2013

Fevereiro 2013

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

blogs SAPO
subscrever feeds